;Armagh/Northen Ireland
;Hogwarts School of Witchcraft and
Wizardry/7th
;Wand: Phoenix Feather, yew, 71/2 inches
;Patronus: Coyote
;Era: Contemporary
;Shipper: Irving; Draco
[+]Slytherin;
porcelain dolls; fashion; celtic way of life, beliefs and people; NY - Milan -
Paris; party; cookies; martini bianco (w/ cherry); diet pills; maxi-bags; red
lips; shoes; Potions; Divination; D.A.D.A.
[-]Potters; Poors; dirty-bloods; Dumb-ledore; huffle-puffs; griffindors;
white boots; jeans bonnet; anti-tabagism; allthesamecolorstuffs combination;
golden accessories; fat people.
; Tyrone/Northen Ireland
; Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry
; Wand: Unicorn Coat, oak, 74/2 inches
; Grade: graduated
; Patronus: Dolphin
; Era: Current
; Shipper: Patrice
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Expresso Hogwarts
Segunda-feira, Maio 19, 2008
A Benção tripla
Ela corria esbaforida. Sua longa camisola abria-se às suas costas e varria todo o corredor por onde passava. Nesse momento ela odiava o fato daquela Mansão ser tão grande, com tantos corredores, passagens e quartos. Chegou ao seu destino e esmurrou a porta. Sem resposta. Sentiu um nervo pulsar no canto da testa e infligiu novos golpes na madeira maciça a sua frente. A fechadura virou e um homem sonolento e muito alto abriu passagem.
- O que você quer... Oh, o resultado! – ele exclamou e se afastou para que a mulher pudesse entrar, mas ela o puxou pela manga do pijama.
- Não, precisamos do Marvin também!
Ela voltou a deslizar pelo corredor, agora acompanhada do outro homem, que bocejava e se espreguiçava de segundo em segundo. A porta do outro quarto já estava aberta e o bruxo os esperava, sentado em sua cama tomando uma xícara de chá.
- Imaginei que chegariam agora. – disse ele. Levantou-se e indicou a janela para que Morgance pudesse realizar o sortilégio.
A mulher depositou a tigela no parapeito de madeira que pudesse ser atingida pelos raios da lua. Abriu os braços e fechou os olhos. O triângulo em sua testa brilhava, assim como as suas mãos quando se voltaram para o luar e mergulharam no meio das ervas. Um tremor se espalhou pelo corpo da mulher, que bambeou um pouco, mas foi amparada pelos irmãos.
Ela enxergou o vermelho. Sentiu o sangue correr. O pulsar do coração. Ouviu o choro. O riso. E a viu. Alta e delgada como deveria ser, de cabelos acastanhados e olhos verdes como os dela. Sentiu o seu perfume quando a abraçou e a amou. Profundamente. Como se já a conhecesse há muito tempo. E agora enxergou o escuro.
Desvaneceu nos braços dos homens. Sua testa salpicada de suor estava fria, e Marvin e Marmaduke trocaram olhares preocupados. Eles a ergueram e a deitaram na cama, Marvin pegou a varinha em cima da cabeceira e apontou para Morgance.
- Enervate!
Ela abriu os olhos, respirando com dificuldade. Tentou se sentar, mas Marmaduke pousou a mão no seu peito e fez com que ela voltasse a cabeça para o travesseiro.
- E então...?
- Me-ni-na. É uma menina!
Marmaduke não deve ter ficado tão alegre quanto demonstrou, Marvin bateu palmos e abraçou os irmãos e assim que Morgance recuperou a firmeza, deixaram o aposento e se dirigiram para o quarto de Eve.
Johan detestava a maneira como sua mãe e tios perambulavam pela mansão sem respeitar os outros ocupantes, era como se todos ali devessem viver prontos para atendê-los e, quando seu quarto foi invadido naquela noite, por pouco ele não lançou maldições nos visitantes.
- Mãe, não vê que a gente quer dormir! – berrou ele.
- Quieto Johan. Eve, deixe-nos tocá-la. – Falou Morgance.
Eve levantou-se assustada e os três anciãos adiantaram-se para ela, pousando as mãos no seu ventre e murmurando preces e bênçãos em uma língua diferente que Eve só conhecia superficialmente. Ela sentiu uma onda de luz fresca invadir as suas entranhas e se espalhar por todo o seu corpo. Queria cantar e dançar. Pôde ver sua filha em seus braços, a pequena herdeira, e deixou que lágrimas felizes rolassem pela suas bochechas e pingarem do seu queixo. Johan prostrou-se atrás dela, pronto para socorrê-la a qualquer momento, mas ela não precisava.
- Bem vinda pequena. – disse Marvin por fim.
“Cuidado, você que caminha na praia. Cuidado, você que repousa a beira do mar. E àquele que mergulha no reino aquático dos Finfolks, assopro o meu adeus”.
Todas as lareiras do salão brilhavam esverdeadas. Capas rodopiavam e inúmeros bruxos arrumavam-se para atravessar a porta que os levaria ao pátio onde ocorriam as festividades. O local estava repleto de mesas e decorado luxuosamente. Cada detalhe fora milimetricamente projetado por Morgance, que passeava pela propriedade cumprimentando bruxos de diferentes partes da Europa, todos carregando um alto grau de fama e importância na comunidade.
Eileen, a herdeira do Legado, era constantemente bajulada e parabenizada e isso já estava começando a irritá-la profundamente. Ela podia sentir a falsidade naqueles sorrisos e o temor nos apertos de mãos, mas não era para ela aquilo, eles deveriam congratular o seu filho que em poucos dias partiria para o seu primeiro ano letivo em Hogwarts e era por ele que ela estava no Finfolkaheem, agindo como a virgem Maria para aqueles feiticeiros abobalhados.
Irving pouco se importava se estava sendo lembrado ou não, sua ida para Hogwarts era só um pretexto para os eventos sociais da sua avó, ele já tinha idade suficiente para entender a rede teia de influencia que a sua família tecia em volta dos outros clãs. A sua atual preocupação se chama Patrice, a prima que herdará o legado após a sua mãe e aquela com que ele deve se casar.
Tentava vencer o mar de pessoas e encontrar um lugar mais limpo, onde pudesse examinar o pátio externo melhor. Não demorou muito e avistou Patrice na orla do bosque em companhia de sua outra prima e neta de Marmaduke, Janes. Desde muito pequeno aprendeu a desconfiar de qualquer coisa que viesse do lado Marmaduke da família, e a pequena Janes, com suas magias africanas e bonecas macabras de voodoo, não contribuía em nada para que ele mudasse de idéia.
Aproximou-se cauteloso e jogou-se sobre patrice, que sobressaltou-se e o empurrou para o lado.
- Ah, é você.
- Cansou de ser bajulado, pequena truta? – disse janes.
- Bajulado? Francamente, parece que a minha mãe ganhou a copa de quadribol. Acredita que o bagman a abraçou e caiu em prantos?
- Ha! E o que ele disse? – perguntou Patrice, mas sem esperar resposta – “Que família, que família!” – imitou a voz grave e chorosa do ex-batedor e todos riram.
- Só espero que você fique na sonserina, irv, e mostre que tem algum valor!
- Claro, Janes, não há lugar mais apropriado para um McNessa do que a sonserina e é lá onde ficarei.
- Boa sorte, então, Irving... – janes iria dizer mais alguma coisa, mas seus olhos foram desviados para um outro ponto, segundos antes de outra presença se fazer notar.
- Venham para a sala principal, precisam conhecer alguém. – Era Marmaduke. Janes abriu um longo sorriso e abraçou o avô, fazendo tilintar as miçangas nos cabelos dele quando pulou em seu pescoço e beijou-lhe a face. – Pare de se pendurar feito um primata, menina, adiante-se.
Marmaduke sorriu para a neta, Irving e Patrice se entreolharam surpresos com essa amostra de uma diferente face do velho Marma que conheciam.
Slytherin Tales, 3:32 PM
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Sexta-feira, Janeiro 04, 2008
Quebrando Tradições
- Ora, minha querida, não chore. Por favor, não se desespere!
- Como não? Mãe! Eu não posso mais ter filhos! – Eileen esganiçou, afogando-se em lágrimas amargas, com um papel amassado entre os dedos. Jogara o lençol para o chão, e tentava inutilmente soltar o tubo de soro do seu braço. Não sabia exatamente o que fazer, mas não poderia aceitar aquele laudo. – De quê adianta toda a magia do mundo se não serve para ajudar-me no que eu mais preciso? Eu falhei, mãe! Eu falhei! – Ela gritava entre soluços e torcia os braços para se libertar das mãos de Morgance, inutilmente.
- O que está havendo aqui? – A voz grave e imperial escorreu porta adentro, seguida por Marmaduke farfalhando a sua longa capa negra. Seus cabelos compridos e prateados estavam trançados para trás, e a barba que descia até a base do seu pescoço também estava apertada em uma trança mais fina e enfeitada com miçangas vítreas.
Iwan, que acompanhava o desenrolar da cena estático, encostado na parede e muito pálido, tratou de assumir o lugar de Morgance ao lado de Eileen. A Anciã se levantou austeramente e passou um braço pelo do irmão e o levou para fora.
- Pode me responder agora, irmã? – disse o mais velho, o tom de ordem em sua voz não agradou nem um pouco a Morgance.
- O parto foi extremamente difícil. Houve danos irreparáveis no organismo da Eileen e ela não poderá engravidar outra vez.
- Mas a criança está bem, suponho?
- Está, mas... – Morgance respirou fundo antes que pudesse continuar a frase – É um menino.
Os olhos de Marmaduke saltaram das órbitas, sua face avermelhou-se e seu punho se fechou fortemente. Por um instante ele pareceu querer estrangular a irmã até a morte, mas virou-se para a parede, piscando algumas vezes e tratando de se restabelecer.
- O legado sem uma herdeira... O que fazer, meu Deus Uno e Senhor? – suspirou ele, voltando-se novamente para a irmã.
Antes que pudesse responder, Morgance foi interrompida por sua sobrinha Camala, filha do seu irmão Marvin, que não estava presente naquele momento crítico.
- Acredito que seja a tensão do momento que a tenha feito esquecer-se de que o seu filho mais novo, Johan, casou-se há três meses e, até onde me consta, a esposa dele é bastante saudável e fértil. Não foi a Senhora que a levou para a Ilha de Aelia, Madame?
Marmaduke lançou-lhe um olhar furioso, a chance de ter um dos seus herdando o legado estava novamente se esfacelando.
- Oh, pelos Deuses, esqueci do meu pobre Johan! – exclamou Morgance, quase vertendo lágrimas sobre o sorriso que acabava de abrir. – Abençoado seja o meu amado Johan, abençoado seja!
Esquecendo-se da raiva estampada nos olhos azuis do irmão, Morgance o abraçou e plantou-lhe um grande beijo na face. Correu de volta para o quarto e tratou de consolar a filha com o mais novo argumento.
Com a saúde quase refeita por inteiro, Eileen foi hospedada no Casarão em Ballintoy. O fato era que, apesar da existência de um bebê prematuro que necessitava de cuidados dobrados, era ela quem ficava no centro das atenções. “Pobre Irving” murmuravam as criadas, se dependesse da família McNessa, ele não teria nem nascido para não causar tal sofrimento a Eileen.
Quase um ano depois, Eve e Johan se reuniram novamente. Morgance fez questão de que eles passassem uma longa temporada em Ballintoy, temporada essa que se estendeu por dois anos.
Assim que Johan fechou uma negociação para adquirir uma propriedade que pertencera ao primeiro McNessa, em Armagh, começaram os enjôos de Eve. Quando ela deixou de querê-lo em sua cama e passou a desejar atum japonês em todos os cafés da manhã, o alvoroço estava instalado. Corujas voavam para os quatro cantos do mundo, sacrifícios eram oferecidos à Deusa e ao Deus, Aelia se mobilizara em preces e encantamentos para a saúde de Eve e Morgance era a pessoa mais feliz do mundo.
Na primavera daquele ano, Marmaduke e Marvin foram visitar a irmã e, à portas fechadas, iniciaram um longo discurso que, por fim, se resumia à poucas palavras:
- Precisamos romper alguns votos pelo bem da nossa família, Morgance. Temos que utilizar a magia para saber qual sexo o embrião desenvolverá e se não for uma garota poderemos tirá-lo enquanto há tempo e começar novamente. – Foram as palavras finais de Marvin.
- Mas isso seria uma profanação ao bem mais precioso que a Deusa concedeu a nós mulheres! – exasperou-se a anciã.
- Profanação será deixar a nossa família desaparecer nas brumas como a Sagrada Avalon! – Alterou-se Marmaduke.
- Deixe-nos ao menos saber o sexo, irmã. – pediu Marvin, delicadamente.
Morgance bufou nervosamente e passou a mão pelos cabelos, enquanto caminhava em círculos pela enorme biblioteca. A luz amarelada que se desprendia das velas flutuantes iluminava as inúmeras estantes de madeira envernizada e as capas coloridas de grossos livros antiqüíssimos. Toda aquela propriedade, e mais algumas centenas espalhadas pelo mundo precisavam de alguém. As gerações futuras precisavam de alguém. Aelia e todo o segredo do Velho Povo também precisavam. Precisavam de uma Mulher McNessa.
- Tudo bem. Eu deixo vocês descobrirem qual o sexo da criança, apenas isso. – sentenciou.
Marvin e Marmaduke trocaram olhares significativos e sorriram. Beijaram a mão da irmã e deixaram-se guiar pelos corredores, até os aposentos da gestante.
Ao aproximarem-se do quarto, a porta se abriu, expondo o interior. O recinto bem arejado, devido imensa janela que ficava no extremo oposto a porta e que era voltada para a imensidão azul do mar, possuía móveis de madeira clara e os lençóis e estofados brancos, que refletiam suavemente a luz emitida pelo sol.
Eve se sentou assustada, mirando com olhos espantados as três figuras elegantemente vestidas e altas que invadiram seus aposentos. Levou instintivamente a mão até a barriga, temendo o que poderia acontecer. Os anciãos ali, juntos, visitando uma mulher que mal acabara de se juntar a família e nem tinha o sangue tão querido dos ancestrais McNessa.
Morgance ergueu uma das mãos com a palma virada para a outra mulher e murmurou uma benção, sorrindo em seguida, o que fez a grávida se acalmar um pouco. Marvin e Marmaduke não transbordavam simpatia, mas ao menos carregavam uma seriedade serena que não parecia oferecer perigo.
- Como está se sentindo, Eve? – Perguntou a senhora.
- B-bem, obrigada.
- Morgan, adiante-se. – resmungou Marmaduke.
A irmã lançou-lhe um olhar estranho, algo que lembrava desprezo. Marvin pousou a mão nos ombros de Marmaduke, que tirou os olhos da irmã e voltou-se para Eve.
- Nunca fomos apresentados, sou Marmaduke McNessa – falou, dando ênfase ao sobrenome e curvando-se minimamente – Sou o irmão mais velho da Morgance e esse – disse indicando o outro irmão – É meu irmão do meio, Marvin McNessa.
- Muito prazer, senhora. – Marvin beijou a mão da mulher e afastou-se sorrindo.
- Em nome do futuro do clã, viemos fazer algo inédito na história da família e, já que agora é uma das nossas, foi instruída nos mistérios, não há muito que possa fazer a não ser submeter-se às decisões da cúpula... Ou seja, nós três.
Eve sentiu-se estremecer perante o breve discurso de Marmaduke, a simples menção de que a sua vida estava à mercê daquele homem a fez imaginar-se como uma flor desgarrada, solta ao vento impiedoso.
- Precisamos executar alguns procedimentos para saber o sexo da criança que carrega, Eve. – Disse Morgance.
- Não iremos machucá-la, é só precaução. – Acrescentou Marvin.
- Isso se for uma garota.
- Marmaduke, isso ainda não foi decidido. – Morgance o cortou friamente, com a voz carregada de autoridade. Talvez fosse a magia do pequeno triângulo invertido tatuado em sua testa, mas nesse instante a anciã pareceu ficar maior e exibir uma aura tão forte que Eve fechou os olhos por um segundo.
- Certo, mas acho que deveríamos nos apressar. – respondeu o mais velho, tentando não descer do pedestal.
Marvin assentiu, aproximou-se de Eve e, pedindo licença educadamente, retirou os lençóis que a cobriam. Pegou a sua varinha e, encostando delicadamente na parte inferior da barriga da mulher, murmurou um encantamento ritmado, quase como uma música. Um minúsculo ponto de luz saiu de dentro de Eve e pairou sobre ela. Morgance conjurou uma tigela de madeira com folhas desconhecidas embebidas em algum líquido incolor, que exalava um aroma que lembrava peixes coloridos em uma piscina natural na maré baixa. A luz levitou até a tigela e mergulhou, tomando a forma de uma pedra cor de pérola.
- Saberemos na próxima mudança da lua – anunciou a anciã – que pelas minhas contas será... Amanhã, que ótimo.
Slytherin Tales, 3:22 PM
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Sexta-feira, Dezembro 28, 2007
Tríade Anciã: A Trilha de Morgance – pt. 3
Trecho extraído do diário que Morgance conservara em seus períodos de estudos na ilha sagrada de Aelia:
Certa manhã, logo após o equinócio, fui acordada por uma dor surda na barriga. Quando me levantei e tirei a roupa de dormir, descobri a mancha viva do meu primeiro sangue lunar na saia da camisola.
A minha reação inicial foi de grande alívio e satisfação, pois Garça e Roud já haviam feito a passagem, apesar de serem mais novas do que eu. Mas elas eram miúdas, viçosas e roliças, enquanto o meu crescimento se concentrara nos membros compridos. Cigfolla havia dito para não me afligir, que as meninas rechonchudas sempre amadureciam primeiro e engordavam mais na meia idade.
- Quando passar dos trinta e ainda tiver cintura, você ficará grata pela sua compleição magra – dissera-me a mulher mais velha. – você vai ver.
Mas eu era então a menina mais alta da Casa das Donzelas e, se meus seios não houvessem começado a crescer, eu teria pensado se não devia estar vivendo com os meninos que os druidas instruíam, do outro lado da colina, em vez de com as sacerdotisas. Mesmo Amber, que era muito parecida comigo, já começara suas regras um ano antes.
Entendi o que se devia fazer – Garça e as outras haviam ficado mais que ansiosas por explicar. Eu sabia que estava corando, mas consegui manter a voz natural quando fui pedir à velha Ciela o musgo e os pedaços de linho, lavados até ficarem macios e fofos, de que eu necessitaria para envolvê-lo.
Suportei os parabéns das outras mulheres tão bem quanto pude, perguntando-me enquanto isso quanto tempo demoraria até o meu ritual. O amadurecimento do corpo era apenas um indicador externo. A transformação interior de criança em donzela seria confirmada pelo meu rito de passagem.
***
Vieram buscar-me nas horas mortas, logo após a meia-noite, quando só aquelas que faziam a vigília da Deusa deviam estar acordadas. Eu estivera sonhando com água corrente. Quando o capuz desceu sobre a minha cabeça, o sonho se transformou em um pesadelo de afogamento. Por alguns aterrorizados momentos, lutei contra a mão que se fechara sobre a minha boca, em seguida a compreensão restituída identificou o odor da lavanda que as sacerdotisas guardavam junto com as suas vestes e eu entendi o que estava acontecendo.
No ano anterior havia sido Amber que não se achara na sua cama quando o toque da trompa nos despertou para saudar o sol nascente e, depois, Garça. Elas haviam sido recambiadas, pálidas, e cheias de si, devido aos segredos, e isso me recordou de quando as minhas primas mais velhas retornavam do período letivo, e cochichavam horas diante de mim, sem deixar escapar uma informação sequer.
Entretanto, além de reforçar um sentimento de superioridade que já me parecera excessivo, o que quer que lhes houvesse acontecido, parecia não lhes ter feito nenhum mal. Sentei-me e permiti que me levassem para fora do dormitório.
O cascalho rangia sob os meus pés e eu sabia que estavam seguindo a trilha junto ao Lago. Senti o cheiro úmido do pântano e ouvi o vento murmurar nas touceiras de juncos e, por um momento, me perguntei se pretendiam levar-me pela água para alguma das outras ilhas.
Várias vezes a minha escolta virou na direção oposta, fazendo-me girar de um lado para outro, até a minha cabeça rodopiar e comente um firme aperto no meu cotovelo me impedia de cair. Instintivamente ergui a mão para o capuz e uma outra pessoa impediu que eu o levantasse.
- Não tente ver – um sussurro ríspido chegou ao meu ouvido. – você colocou os pés na trilha para um futuro que não pode conhecer. Deve percorrer esse caminho sem pensar na sua infância, confiando na sabedoria daquelas que o seguiram antes para que lhe mostrasse o caminho. Você compreende?
Balancei a cabeça, aceitando a exigência ritual, mas eu sempre tivera um excelente senso de direção e, quando a tontura passou, eu podia sentir o poder do Tor à minha direita, como um pilar de fogo.
Em seguida, estávamos subindo e a minha pele se enrugava ao ser tocada pelo ar úmido e gelado. Ouvi o borbotão musical da água e o pequeno cortejo se deteve enquanto alguém abria um portão. Eu estava ouvindo a torrente que se escoava da Fonte do Sangue, no sopé do Tor, pensei eu então. Saber onde me achava me fazia sentir menos vulnerável. Tentei convencer-me de que estava tremendo por causa do frio.
Subitamente, através da trama grosseira do capuz, vislumbrei um brilho vermelho de tochas. O capuz foi arrancado e percebi que eu acertara, pois estávamos paradas diante do portão do recinto em torno da nascente. Mas tudo parecia estranho. Mulheres com véu me rodeavam, anônimas na luz bruxuleante.
A mais baixa dentre elas me segurava o braço, e eu a reconheci como Garça. Então elas me tiraram o manto e a fina roupa de dormir, deixando-me nua, tremendo no ar gelado.
- Nua você veio ao mundo – disse a mesma voz áspera que falara anteriormente. – nua você deve fazer a passagem para a sua nova vida.
O portão estava aberto. A minha guia conduziu-me por ele e as outras mulheres acompanharam, espalhando-se de cada lado. A última a entrar fechou o portão atrás de mim. A luz das tochas cintilava vermelha sobre as águas calmas da lagoa.
Uma figura alta se adiantou, bloqueando a minha visão das outras, e eu reconheci o vulto. Era a minha avó. Caoimhe. Senti vontade de correr e abraçá-la, tamanho era a minha alegria de vê-la ali, depois de tanto tempo. Havia esquecido que ela fazia parte da mesa das Grã-Sacerdotisas, assim como as matriarcas das outras sete famílias descendentes do Velho Povo. Mas eu me contive, porque ela não estava ali no papel de avó, e sim de líder, e de chefe das sacerdotisas, iniciando mais uma aprendiz. Ela falou, e a sua voz ressoou fantasticamente sobre o espelho d’água, atravessando meu espírito.
- Você entrou no templo da Grande Deusa. Saiba que Ela exibe tantas formas quanto as mulheres, no entanto ela é singular e suprema, é eterna e mutável; no entanto se mostra a nós com uma aparência diferente a cada estação. Ela é Donzela, para sempre intocada e pura. Ela é mãe, a Fonte de Tudo. E ela é a sabedoria antiga que perdura além do túmulo. Morgance, filha de Aithne, está disposta a aceitá-la sob todas as suas aparências?
- Eu estou...
Ela ergueu os braços em invocação.
- Senhora, nós viemos aqui para acolher Morgance, filha de Aithne, no nosso círculo e para instruí-la nos mistérios da feminilidade. Sagrada, ouve-nos agora! Que nossas palavras expressem a Tua vontade, assim como os nossos corpos exibem a forma da Tua divindade, pois nós comemos bebemos e respiramos a Ti...
- Assim seja.
Garça ajeitou o novo manto em torno dos meus ombros e parou diante de mim.
- Filha da Deusa, você deixou a infância para trás – disse ela, com uma entonação cuidadosa, de quem repete uma fala recém aprendida – Saiba agora o que serão as estações da sua vida.
Uma sacerdotisa vestida de branco surgiu do meio das outras, adiantou-se até o lago e, de costas para ele, recitou melodiosamente, com uma voz delicada e límpida, como cristais balançando ao vento.
Slytherin Tales, 1:48 PM
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Tríade Anciã: A trilha de Morgance – pt. 2
Seus dedos se apertavam contra a amurada, enquanto os barqueiros empurravam com as varas e a barca deslizava para longe da margem. Durante a noite, outra bruma subira da água e o mundo além da aldeia era mais sentido do que visto. Somente uma vez, quando atravessara o Tamesis, ela estivera em um barco. Ela se sentira praticamente subjugada pelo formidável e impetuoso desígnio do rio, chegando quase às lágrimas quando alcançaram a margem oposta, porque não o fora permitido acompanhá-lo até o mar.
No Lago, o que ela sentia mais intensamente era a profundidade, o que parecia estranho, uma vez que o fundo ainda estava no alcance das varas dos barqueiros, e ela podia ver os renques ondulantes dos caules de junco abaixo da linha de flutuação.
Fitou com curiosidade a mulher sentada à proa, com o manto e o capuz azuis. Para ser uma sacerdotisa era necessário se distanciar tanto do sentimento humano? Eric pregava igualmente o distanciamento, mas ela sabia que ele tinha um coração debaixo dos seus trajes de filósofo.
Ela desejava que houvessem permitido que o seu velho preceptor a acompanhasse nesse último trecho do caminho. Ele ainda acenava para ela da margem e, embora tivesse se despedido com a discrição de um verdadeiro estóico, Morgance teve a impressão de que havia um brilho nos seus olhos que poderia ser de lágrimas. Enxugou os próprios olhos e acenou de volta, com mais força.
A bruma estava ficando cada vez mais espessa, estendendo-se em densas meadas pela água, como se não só a terra, mas também o ar estivesse se dissolvendo de novo no útero aquático primordial. Dos elementos pitagóricos que Eric lhe falara, só restava o fogo. Respirou fundo, ao mesmo tempo irrequieta e estranhamente tranqüilizada, como se algo dentro de mim reconhecesse essa mescla multiforme e a saudasse.
Então, por fim, a sacerdotisa se moveu, atirando o capuz para trás ao se erguer. Com os pés firmados, ela ficou parada, parecendo tornar-se mais alta enquanto levantava os braços em invocação. Ela prendeu a respiração e suas feições comuns se tornaram radiantes de beleza. Proferiu uma série de sílabas musicais em uma língua que Morgance jamais havia ouvido antes.
As brumas começaram a se mover. Os barqueiros taparam os olhos, mas Morgance manteve os seus bem abertos e fixos nas nuvens acinzentadas faiscando como um arco-íris de cor. A luz girava em torno delas no sentido do movimento do sol, as cores fundindo-se, arrancando a realidade do tempo. Então, numa explosão final de magia, as brumas se tornaram uma névoa de luz.
A sacerdotisa deixou-se cair no seu lugar, com a transpiração formando gotas na testa. Os barqueiros retomaram as remadas, como se já estivessem habituados com o espetáculo. Por alguns momentos, embora os remos mergulhassem, parecia que eles não se moviam. Então a bruma luminosa subitamente se dissipou, e o Tor estava se precipitando na direção deles. Morgance bateu palmas, reconhecendo a bela ilha verde.
Mas a ilha não era a mesma que a garota havia visto da outra margem, onde deveriam situar-se cabanas, existiam edifícios de pedra, guarnecidas por colunas com fustes lisos de pedra afunilada. Favorecidas pelo sol da primavera, elas resplandeciam majestosas.
Se houvesse sido capaz de falar, pediria para os homens pararem o barco e explicarem o que era cada casa, agora que podia compreender-lhes a harmonia. Mas a terra estava investindo para eles com demasiada rapidez. Um momento depois, o fundo da barca raspava na areia e ela deslizou para a margem.
Pela primeira vez a jovem sacerdotisa sorriu. Ela se pôs de pé e a ofereceu a mão.
- Seja bem vinda a Aelia.
Slytherin Tales, 1:47 PM
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Segunda-feira, Dezembro 24, 2007
Interrompemos nossa programação para uma shot fic especial de Natal!
Natal à Moda Antiga
O Sol esteve distante e fraco durante todo aquele dia. Apesar do frio e do acinzentado da noite, a Terra sorria e cantava agradecimentos pela vida. Ballintoy nunca esteve tão bela, tão cheia e tão resplandecente. A neve alva espalhada por todo o jardim do Casarão havia sido escavada em diversos pontos. Dos buracos, com mais ou menos meio metro de profundidade e não muito largos, emanavam nuvens de fumaça perfumadas, em cada um deles eram queimadas ervas diferentes; louros, camomila, azevinho, junípero, visco, musgo, carvalho, pinhas, alecrim e sálvia uniam-se no ar impregnando toda a propriedade.
Vieram McNessa de toda parte da Europa, até os siberianos se fizeram presentes. Trouxeram incensos de pinho e agraciaram Madame Morgance com pedras olho-de-gato e rubi, que foram prontamente arrumadas na mesa em forma de meia lua, no centro do pátio externo, que também tinha um cálice com vinho tinto, incensório de alecrim e uma grande vela branca no meio, à direita da vela encontrava-se um punhal e um prato com sal. Por trás do altar, um galho de carvalho de Natal com treze velas vermelhas e verdes enfeitando-o.
Os risos das crianças menores e o barulho dos seus pés correndo pela neve eram abafados pelo barulho dos tambores tocados pelos jovens rapazes. As garotas mais velhas estavam no interior da casa, vestindo os trajes típicos para a celebração, os mais velhos acomodavam-se em um grande círculo em volta da mesa, entretidos em lembranças de tempos passados e troca de informações sobre os diversos ramos do clã.
Morgance adiantou-se até o centro do círculo, vestindo uma longa veste azul-escuro, seu cabelo comprido era branco e pendia pelas suas costas até o quadril. Ela ergueu os braços e os tambores cessaram, as crianças se sentaram e os adultos se calaram, respirando profundamente e devagar, olhando para cada gesto de Morgance com um respeito descomunal, ela havia deixado de ser uma parenta como todos os outros e assumiu o seu papel de representante da própria Deusa na Terra.
As jovens saíram de dentro da casa vestidas com túnicas semelhantes às da anciã, exceto pelo fato de serem brancas, e tinham a cabeça enfeitada com coroas de louro, arrumaram-se em volta do círculo e permaneceram de pé. Morgance ergueu o punhal e, com ele, pegou um pouco de sal e o espalhou ao redor da mesa. Repetiu o procedimento três vezes, depositou o punhal na mesa novamente e disse:
- Abençoado seja este círculo sagrado do Sabbat em nome do grande Deus Cornífero. O senhor divino das trevas e da luz, o Deus da morte e de todas as coisas do além. Abençoado seja este círculo sagrado do Sabbat em seu nome.
Acendeu o incenso e a vela, pegou o punhal e o mergulhou no cálice dizendo:
- Oh Grande Deusa, Mãe Terra de todas as coisas vivas, nós nos despedimos, pois vamos descansar. Abençoada seja! E nós te damos boas vindas, Oh grande Deus da caça, pai da Terra de todas as coisas vivas. Abençoado seja! Água, ar, fogo, terra, nós celebramos o renascimento do Sol. Nesta noite escura, a mais longa do ano, nós acendemos o lume das velas sagradas.
Devolveu o punhal à mesa, ergueu o cálice com ambas as mãos e pronunciou-se antes que bebesse dele:
- Bebo desse vinho em sua honra, Deus de todas as coisas selvagens e livres. Agradecemos pela luz do Sol que mantém a vida gerada pela Mãe Terra. Salve, Oh grande Cornífero!
Acenou em direção à árvore natalina e as treze velas foram acesas, depois disse:
- O fogo do ramo sagrado do natal arde, a grande roda solar gira mais uma vez. Que assim seja!
Os tambores voltaram a soar, os empregados levaram a mesa do pátio cujo centro fora tomado pelas jovens McNessa dançando no ritmo dos batuques. Os mais velhos levantaram-se e se juntaram à dança, e os garotos se revezavam nas batidas para que todos também pudessem aproveitar as festividades.
Filas de empregados passavam entre os dançantes com bandejas servindo comidas e bebidas, mas no ponto alto da celebração eles já haviam se juntado com a família, e não havia mais distinção entre eles.
Slytherin Tales, 10:10 PM
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Domingo, Dezembro 23, 2007
Tríade Anciã: A Trilha de Morgance – pt. 1
Diferente dos seus irmãos, Morgance não seria enviada para Hogwarts, ela deveria ir para uma ilha secreta e ser iniciada nos mistérios como as outras mulheres da sua família e outras descendentes do Antigo Povo. Algumas de suas primas já se encontravam na Ilha de Aelia e, nas férias de verão quando voltavam para as suas casas, sempre carregavam um ar de superioridade e suma sapiência. Morgance as detestava, mas no fundo era só a vontade de saber tanto quanto elas, e iria saber, pois diferente de todas, ela era a herdeira do Legado McNessa.
Na primeira primavera depois do seu décimo aniversário uma estranha euforia tomou conta da atmosfera do casarão em Ballintoy. Aithne não parava de andar, arrumando malas, escolhendo roupas, limpando sapatos para Morgance; coisas que Caoimhe, do alto dos seus oitenta e oito anos, não parava de chamar de inúteis e que se Aithne não tivesse esquecido dos anos que viveu em Aelia, saberia que Morgance não iria usar jamais, a não ser no dia em que fosse voltar.
Morgance mal tomou o seu café da manhã, sentia seu estômago dançando e rodopiando dentro dela, sua mãe não parava de lhe dar recomendações e, apesar de Caoimhe nada mencionar, sentia aquele olhar de cobrança, aquele apelo para que tudo fosse perfeito, a garota não podia falhar, Caoimhe dependia daquele sucesso para poder desencarnar em paz, afinal ela não entregaria o Legado para qualquer McNessa, deveria ser para a melhor delas, e Morgance já tinha o Destino traçado e era o seu papel cumpri-lo.
Slytherin Tales, 3:05 PM
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Sábado, Dezembro 22, 2007
Tríade Anciã: A Ambição de Marvin
A densa fumaça acinzentada crescia e avançava como ondas, para depois se derreter em uma névoa mais fina e suave, enrolando-se pelas pernas dos passantes, rodopiando como folhas secas perdidas ao vento. Os pés apressados e ansiosos abriam passagem por entre a bruma, seguidos de grandes malas e capas esvoaçantes. A grande maioria deles avançava para dentro do trem vermelho que fumegava paciente na estação, os outros paravam no limite da plataforma, sustentando donos de braços que se agitavam e acenavam despedindo-se dos parentes e amigos.
- Sai da frente, Marvin. – rosnou um garoto alto e magricela, de cabelos bem penteados para trás e bem escuros, contrastando com a tez clara e os olhos azuis.
Um menino menor, muito parecido com o primeiro exceto pela cor dos cabelos que era castanho-claro, saltou desengonçado para o lado e esbarrou em uma garotinha de aproximadamente cinco anos. A mulher que observava a cena, trocou a bolsa de mão e depositou um tapa na nuca do garoto mais jovem.
- Cuidado com a Morgan!
- Desculpe, mãe. Desculpe, Morgan, foi o Marmaduke que me fez ir para lá!
- Marmaduke, será que o espaço que você tem já não é suficiente? Ande logo, o trem já vai partir!
- Está bem mãe, dê-me sua benção...
A mulher se abaixou e, depois de murmurar algumas palavras, beijou a testa do filho. O menino segurou-lhe a mão e também a beijou, correndo para a locomotiva em seguida.
Marvin olhava tudo aquilo com uma admiração muda, mal podia esperar pelo ano seguinte, quando finalmente embarcaria naquele expresso para a escola dos sonhos, aí poderia mostrar para todo mundo que era tão bom quanto o irmão e conquistaria o respeito que sua irmã mais nova já nascera possuindo.
Abraçou a irmã e ergueu a no colo, plantando-lhe um beijo na bochecha enquanto ela se desmanchava em risos e bagunçava seu cabelo.
- Acho que o Marma deixou uns caramelos levitadores no meu bolso – cochichou.
- Eu sei! Já fiz com que eles passassem para a minha mochila! – respondeu a garotinha.
- Morgan! – retrucou sentindo-se levemente desapontado – Se você não parar de usar a Visão toda hora, nunca mais tento te fazer uma surpresa!
Antes que ela se desculpasse, Aithne a tomou dos braços de Marvin e virou-se para o homem que os esperava na entrada da plataforma. Marvin correu para ele com uma das mãos bem abertas e erguidas, e foi recebido com um tapinha na palma e um afago na cabeça.
- Como vai o meu cavaleiro? Treinando bastante?
- tanto quanto Lancelot, pai!
- Ótimo, ano que vem Hogwarts saberá o que é jogar quadribol! – Sheridan passou um braço pelo ombro do filho e dirigiu-se para a esposa e a filha, beijando-as. – Sinto muito pelo atraso, o novo aprendiz teve um problema com a arrumação dos pergaminhos e acabou sobrando para mim.
- Eu entendo, sempre entendo, e o Marmaduke já está acostumado com isso. – alfinetou.
Sheridan suspirou tristemente e abaixou o olhar envergonhado, apertando, sem perceber o ombro de Marvin.
- Não se preocupe, pai – ele disse o abraçando – O Marma sabe o quanto se importa conosco. Eu também sei. – Marvin sorriu e, como mágica, a luz que saiu dos seus lábios esticados pareceu puxar um riso colorido e doce dos lábios do pai. Seguiu-se de um abraço da mãe e um grande caramelo dado por Morgance. Ele se sentiu como se uma enorme fogueira se ascendesse dentro do seu peito, e que nada mais era preciso para que se sentisse estimado e respeitado pelos parentes. Ele era Marvin, da maré matinal, sereno como a brisa do leste, o sábio mediador e de conselhos sensatos. Mas ele queria mais, ele queria que todos aqueles bruxos altos, barbados e importantes o ouvissem e o temessem, e ele iria fazer por merecer, como todos os McNessa que vieram antes dele, e de tal forma que nenhum outro conseguirá fazer depois. Seus descendentes o amarão tanto quanto amam as herdeiras do legado, e Marvin não precisaria dele para subir.
Slytherin Tales, 11:36 AM
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Quinta-feira, Dezembro 20, 2007
Tríade Anciã: O Nascimento de Marmaduke
Um típico fim de tarde no pequeno vilarejo de Ballintoy. A enorme construção de pedras brancas era agraciada com uma brisa suave e fresca vinda do mar. Na parte traseira da casa, estendia-se um longo trapiche e em sua extremidade encontrava-se uma mulher alta, de longos cabelos claros e olhos tão azuis quanto o oceano que contemplava. Uma de suas mãos estava pousada sobre a sua barriga volumosa, sua gravidez era inegável e parecia estar nos últimos meses, sua trança bem feita pendia ao longo da lateral do seu corpo e seu vestido esvoaçava distraidamente.
No quintal da casa uma senhora recolhia roupas no varal, lançou um breve olhar para a mulher na beira da armação de madeira e guardou as últimas peças em um cesto, levando-as para dentro. Não demorou muito e ela estava de volta, caminhando a passos pesados. Segurava a ponta do saiote próxima ao joelho, numa tentativa vã de facilitar as suas passadas. Tomou o caminho do trapiche, passava as mãos no rosto a fim de livrá-lo dos fios de cabelos que o vento rebelava, toda aquela ventania a irritava, só servia para secar bem as suas roupas, de resto só importunava.
- Dia duit, Aithne.* – murmurou a velha, erguendo os braços para tocar a mulher que se virou e sorriu largamente.
- A chumann*, o dia está tão bonito, não é? – respondeu abraçando a anciã. – Sinto os deuses sorrirem, minha avó.
- Então eles devem estar. – concordou, fez menção de voltar para dentro, mas a outra soltou um gemido e se curvou dolorosamente. Ela apressou-se em amparar a neta, mas essa já havia ajoelhado e colava a testa no chão penosamente, arfando e se contorcendo. - Go bhfóire Dia orainn! An féidir le héinne cuidiú liom?* Chadwick e Sheridan, corram até aqui!
Dois rapazes, o primeiro não aparentava ter mais de vinte anos e era muito parecido com a mulher, o segundo tinha cabelos compridos e escuros, estava muito pálido e corria desesperadamente. Ambos ajoelharam-se ante Aithne e ergueram-na nos braços e a dirigiram apressadamente para dentro da casa. Uma jovem, que deveria ser uma das criadas, surgiu ao lado do grupo e segurou o braço da senhora.
- Chegou a hora, Caoimhe? – perguntou aflita.
- Sim, Devnet, corra e avisa às outras criadas. Preparem panos limpos e água quente, estou subindo para o quarto principal, não demore! – Guinchou a velha – Chadwick, deixe que Sheridan carregue a esposa, pegue a palha que deixei separada no sótão e espalhe por todo o chão do aposento, agora! – O rapaz assentiu com um aceno de cabeça, e com um estalido alto desapareceu.
Antes que entrassem no quarto, Devnet e mais várias criadas apareceram com toalhas e uma bacia com água quente, a jovem gritou para Caoimhe parar.
- Deixe-me soltar a trança, baisleac*! Ela não pode ter nada trançado ou com nós. – disse Devnet enquanto desatava os cabelos de Aithne e examinava suas vestes a procura de laços. Feita a revista, abriu a porta e deu passagem para os outros, Chadwick já havia espalhado a palha. Sheridan acomodou a esposa em um monte recém preparado para ela e foi prontamente afastado por uma criada.
- Tenho de ficar com ela, Caoimhe! – exclamou, olhando suplicante para a anciã.
- Não há pressa – disse a velha – É o primeiro; ela terá de esperar toda a noite, e você terá muito tempo para ficar segurando-lhe a mão. – sorriu serenamente e agitou a mão, Sheridan e Chadwick deslizaram misteriosamente e contra a vontade para fora do aposento e a porta se fechou.
Com uma breve palma, a lareira foi acesa para as mulheres e as vestes de Aithne haviam virado uma camisola folgada, o cabelo desatado caía sobre as suas costas. Estava andando de um lado para outro do quarto, apoiada no braço de Devnet. Tudo aquilo tinha um ar de festa, e festa era, exceto para a parturiente. Caoimhe aproximou-se da neta e tomou-lhe o braço.
- Vamos, agora você vai caminhar um pouco comigo, e Devnet pode ir preparar as fraldas do seu bebê.
Aithne olhou-a, e Caoimhe teve a impressão de que seus olhos eram os de um animal selvagem preso numa armadilha, esperando a mão do caçador que lhe cortará o pescoço.
- Vai demorar, avó?
- Você não deve pensar nisso, meu amor. Se quiser pensar, pense que as dores já começaram há algum tempo, e portanto tudo andará mais depressa agora. Tomaremos conta de você. É sempre demorado com o primeiro filho, eles parecem que não querem abandonar o ninho confortável. Faremos tudo que podemos. Alguém já trouxe um gato para o quarto?
- Um gato? Ali tem um, mas por que avó?
- Porque, minha querida, se você já viu uma gata ter filhotes, saberá que ela não sente dores; fica ronronando o tempo todo e, assim, talvez o prazer que ela sente em dar a luz contribua para minorar as suas dores. É uma simpatia para o parto, uma magia que não ensinam em Hogwarts. Sim, pode sentar-se agora e ponha o gato no colo.
Aithne afagou o gato num momento de trégua, para, logo em seguida, dobrar-se novamente com as dores agudas. Caoimhe levantou-a novamente e fez com que voltasse a andar.
- Enquanto você puder agüentar, assim vai mais depressa.
- Estou tão... Cansada – gemeu.
- Apóie-se em mim, menina...
- Você é como minha mãe... – murmurou Aithne, agarrando-se à avó, o rosto contorcido como se fosse chorar. – Gostaria que minha mãe estivesse aqui...
Mordeu os lábios como se lamentasse aquele momento de fraqueza, recomeçando a andar.
As horas arrastaram-se lentas. Algumas mulheres dormiam, mas eram muitas e podiam se revezar caminhando com Aithne, que ficava cada vez mais pálida. O sol já despontava, e a parteira ainda não lhe dissera para deitar-se na palha, embora estivesse tão cansada que tropeçava e mal podia caminhar. Queixava-se do frio e apertava o manto contra o corpo, para logo em seguida atirá-lo longe, dizendo que se sentia queimar.
Por fim ela não pôde andar mais, e deixaram-na deitar-se, ofegante, mordendo os lábios a cada repetição das dores. Sheridan havia voltado para o quarto e apertava a mão da esposa, sentado ao lado dela.
Horas depois as mulheres fizeram Aithne ajoelhar sobre a palha, para ajudar a criança a deslizar do ventre. Ela tombava entre as mulheres, como um corpo sem vida, de modo que duas delas tinham que segurá-la. Caoimhe ajoelhou-se ao lado dela e estendeu as mãos, Aithne agarrou-as, olhando para ela sem reconhecê-la.
- Mãe! – Gritou. – Sabia que você viria...
O rosto contorceu e jogou a cabeça para trás, Devnet sussurrou para a senhora:
- Segure-a, senhora... Não, por trás, mantendo-a ereta.
Caoimhe segurando a neta pelas axilas, sentiu a moça estremecer, em contrações e soluços. Aithne gritava “Mãe! Mãe!”, mas Caoimhe não sabia se ela chamava pela Deusa ou por sua falecida filha. Depois caiu nos braços da avó, quase inconsciente; sentiu-se um forte cheiro de sangue, e Devnet levantou alguma coisa escura e desarrumada.
- Veja senhora Aithne. A senhora tem um belo filho. – Inclinou-se soprando a boca da criança, houve um som agudo, irritado, o grito de um recém nascido arrancado do seu berço confortável.
Aithne estendeu os braços para ampará-lo e aninhou-o em seu colo. Olhou para o marido e em seguida para as gaivotas voando sobre o mar azul do lado de fora da janela.
- Meu amado Marmaduke – suspirou. – Meu senhor dos mares.
Slytherin Tales, 5:59 PM
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Terça-feira, Dezembro 18, 2007
Sobre os McNessa
O casal McNessa é muito conhecido nas altas rodas dos bruxos europeus. O Sr. McNessa é o chefe dos inomináveis, lidera o seu departamento com braço de ferro. Bastante respeitado e sempre ouvido nas reuniões do conselho Ministerial, quando ele e Lucius Malfoy se juntam com um objetivo em comum, ninguém é capaz de detê-los e isso acontece com freqüência, já que Lucius e Johan McNessa se conheceram ainda em Hogwarts e desde então mantém laços muito próximos. Dizem que ele é um comensal da morte, mas não há provas quanto a isso, a veia fascista desse nobre senhor nunca foi segredo para ninguém, mas quanto a se submeter a outro mestre que não ele mesmo... Dúvidas. A Sra. McNessa também pertence ao ramo conservador da sociedade mágica, mas ao contrário do pulso de ferro do marido, ela é uma flor de pessoa. Sorriso sereno e olhar tranqüilo, suas lindas mãos de dedos alongados possuem um talento incomum no preparo de poções e essa habilidade, somado aos seus conhecimentos herbológicos e exatidão no reconhecimento de enfermidades e feitiços, renderam-lhe o cargo de diretora do hospital St. Mungus.
Nos tempos de Hogwarts, Eve McNessa – que ainda se chamava Eve Parkinson – nutria uma certa antipatia pelo futuro marido. O achava arrogante e imaturo, com seus estudos estranhos sobre magias antigas e o eterno ar de quem sabe mais coisas ocultas do que todo o resto do mundo. Johan não fazia por mal, certamente ele tinha o seu lado esnobe – como todos os outros garotos ricos e de família tradicional, a Eve não era assim tão diferente – mas os mistérios da sua ancestralidade Celta, os ensinamentos há muito esquecidos pelo mundo bruxo e que eram passados oralmente pelos seus parentes às linhagens McNessa mais recentes, davam a ele uma sensação de poder e supremacia que não conseguia conter. No seio da família, Johan não era assim tão aprumado, a vastidão histórica dos McNessa se centraliza nas figuras femininas da família, e ele só era instruído nos estudos mais superficiais, os mistérios mais importantes ficavam a cargo da sua irmã mais velha, Eileen, garota distante e apática, de uma altivez singular e beleza marcante – características herdadas por grande parte das mulheres da família, talvez por conta dos mistérios que conheciam.
Demorou muito até que a trégua entre Eve e Johan finalmente acontecesse, e, chegado enfim aos tempos de paz, eles oficializaram a união em uma grandiosa cerimônia no círculo de Stonehenge – cujas particularidades mágicas não são totalmente conhecidas entre os bruxos e muito menos pelos trouxas que tentam inutilmente reacender as tradições celtas – Eve foi prontamente inserida no seio dos McNessa, indo passar um período de estudos e iniciações ocultas com a matriarca da família, madame Morgance. Johan jamais conseguiu extrair uma única palavra da esposa sobre o tempo que ela passou com a sua mãe, e ela aguarda ansiosa o dia em que poderá passar toda a informação que recebeu para a sua filha, que já vem sendo instruída desde muito nova pela a avó.
O casal vive hoje em uma enorme propriedade na cidade de Armagh, Irlanda do Norte, conhecida pela qualidade e abundancia de maçãs, alguns estudiosos arriscam afirmar que a terra Sagrada de Avalon é o reflexo da antiga Armagh, um duplo espiritual que se deslocou atravessando as brumas místicas da Europa Ancestral, mas não foi essa possível verdade que atraiu o clã para a região, a família descende diretamente de Conchobar McNessa, o Grande rei de Ulster (região da Irlanda do Norte), filho da princesa do Ulster chamada Ness, a mãe de toda a família McNessa (filhos de Ness), com o druida Cathbad. A família tem uma ligação de nobreza e domínio com a cidade de Armagh, pois o rei Conchobar residia em Emain Macha, um forte nas proximidades, hoje restaurado e protegido pelo clã.
A verdade é que o casamento entre Johan e Eve só foi aceito pela família porque, além de ser homem, ele não é o herdeiro do legado. Eileen, a mais velha, precisou casar-se com o primo Iwan para manter as posses familiares dentro do círculo de mulheres McNessa e, já que ela teve um filho e não uma garota, essa função passará para Patrice, filha do Johan e da Eve, que foi prometida para o filho da Eileen – o Irving. A Eve até tenta livrar a filha da obrigação, mas infelizmente além dela não possuir o sangue ancestral do clã, a voz dela não é nada perante uma tradição mantida por séculos e séculos.
A aura de mistério que envolve a família afasta muitos bruxos temerosos, mas aqueles que têm coragem o suficiente para se render aos tentáculos influentes dessa rede de missionários das raízes mais profundas da magia podem acabar se contaminando com o modo de vida e filosofia peculiar desse clã, como o eterno Carpe Diem desfrutado até o último dia da vida de todos os membros. O principal ícone da família é o falecido Murray Lee-McNessa, casado com Morgance deu a maior prova de amor e devoção perante a sociedade machista da época adotando o sobrenome da esposa, devido à tamanha importância que a ancestralidade tinha na vida da mulher, foi um bon-vivant, viajante incurável; passou pelos quatro cantos do mundo explorando os resquícios do mundo antigo para o deleite da esposa. Morreu de forma desastrosa, quando escalava uma cachoeira na Nova Zelândia em busca de objetos mágicos de uma tribo extinta há séculos.
Basicamente a principal atividade dos McNessa é fazer festas e reunir os maiores e mais influentes bruxos do Reino Unido, e é também um pretexto para fazer com que os ramos mais distantes da família permaneçam sempre próximos do núcleo, dentro da área de influência e controle. Os ramos Marvin e Marmaduke – os filhos e netos dos dois irmãos mais velhos da Madame Morgance – costumam chamar os descendentes do ramo do legado de Finfolks – o elemento que rege os McNessa é a água, daí os nomes dados aos três atuais anciãos: Morgance: Habitante das águas, Marvin: Belo mar e Marmaduke: Líder dos mares. Os Finfolks são seres aquáticos da mitologia celta, é uma raça misteriosa que migra do fundo dos mares até a terra firme para raptar humanos e os levar a Finfolkaheem (a casa dos Finfolk) transformando-os em servos.
Existe uma pequena rincha entre os mais velhos, Marmaduke, o primogênito, não admite que sua irmã mais nova esteja num patamar superior, e detesta quando seus filhos, netos e sobrinhos próximos viajam até Tyrone em busca de bênçãos e conselhos da matriarca, ele também proibe que qualquer um dos seus contraia matrimônio com pessoas fora da família, os Marmadukes formam a parte mais conservadora – se é que isso é possível – e fechada dos McNessa. Marvin é mais contido, reluta em dar créditos às predições e decisões da irmã, mas os dois a temem profundamente e jamais ficariam contra ela em qualquer situação.
Tirando as pequenas intrigas familiares, os segredos jamais revelados, as inúmeras regras e as tradições seculares, a família McNessa mantém-se unida e forte durante muito tempo. Uma fortaleza inabalável de poderio inquestionável. Juntos, os três anciãos estão juntos com personalidades como Rainha Maeve, Dumbledore, Cassandra Vablatsky, os fundadores de Hogwarts e Mungus Bonham no hall da história bruxa – e, no caso da Madame Morgance, nas figurinhas de sapos de chocolate também.
Slytherin Tales, 5:11 PM
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Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
Patrice aqui! Well, voltamos! A história sofreu reformulações, a equipe se reuniu para decidir os rumos e, por termos parado tanto tempo, resolvemos começar de novo! Postaremos alguns capítulos antigos até chegarmos aos anos atuais.
[off]O modo de criação da história também foi reformulado, antes cada um escrevia uma parte, ou uma história, e os outros revisavam. Agora quando a história é do grupo, fazemos tipo um jogo de rpg. As individuais continuam sendo da conta de cada um.[/off]
Estamos selecionando as histórias antigas que serão postadas, não vamos demorar!
Beijos.
Pat P.
Slytherin Tales, 6:09 PM
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